quarta-feira, 30 de maio de 2018

O PALMEIRAS NÃO É PARA AMADORES

Caros amigos,

Tendo em vista os últimos dias de nossa amada instituição, quebraremos a rotina de “posts” apenas em finais de ano. Afinal, parafraseando Tom Jobim, o Palmeiras não é para amadores...

O momento atual é extremamente complexo. Infelizmente, não se trata de apenas 1 (uma) causa, mas, diversas, que se retroalimentam e a resultante é essa sensação de insatisfação e descrença. Tentarei abordar alguma delas a partir de agora. Ressalto que a ordem e os números NÃO têm relação com relevância ou maior importância. Trata-se apenas de uma sequência.

1 – Pressão

Peço a licença para citar debates com meu grande e antigo amigo, Alexandre Zanotta. Há cerca de 2 décadas discutimos Palmeiras quase que diariamente. Na época das vacas magras eu argumentava a questão de medalhões no mandato do Belluzzo e ele argumentava que o período sem títulos praticamente inviabilizava uma gestão racional pela carência de títulos. Depois dos títulos, a coisa melhoraria. Apesar de discordar, não podia deixar de reconhecer uma certa lógica no que era dito. Pois bem, após 2 títulos nacionais recentes, a pressão em 2018 talvez seja até maior. Antes era a fila, hoje o motivo é o “investimento”. Algo como se autopunir com o sucesso. Amanhã “inventaremos” outro motivo. Evidentemente que trata-se de uma característica de qualquer clube grande, mas, na Pompeia, chega-se a nível de histeria coletiva.

2 – Torcida

Em que pese reconhecer alguma evolução no comportamento dentro dos 90 minutos, a torcida que canta e vibra continua com suas idiossincrasias. Só no Palmeiras existe a “contratação com pressão contratada”. Lucas Lima, desejo de qualquer time da Série A, percebe que tem que matar “um leão por jogo”, senão a torcida não vai perdoar. Como a auto profecia realizada, o nervosismo aumenta, a vaia aumenta e o jogador não rende. Além disso, sempre um desejo inconsciente por pedir quem não está no campo. Quando o Borja joga, queremos Willian, quando Willian joga, queremos Borja. Nossa “raiva” busca nomes e não o contexto. E a troca incessante de técnicos e jogadores, acreditem, só atrasa mais o processo. Para concluir esse item, outra idiossincrasia palestrina. Nos outros times, a organizada apoia e os outros “cornetam”. Aqui, a organizada “corneta” e os outros apoiam. De novo, característica de clube grande, mas, na Pompeia é maior.

3 – Diferença relativa entre elencos

Evidentemente não se faz futebol sem dinheiro. Mas, não há correlação no futebol mundial entre maior investimento e título. Há correlação entre maiores investimentos e melhores posições nos campeonatos. Para tanto, podemos citar o Real Madri no começo dessa década e o próprio PSG (em nível europeu) nos dias atuais. Esses times fracassaram e/ou demoraram para ganhar títulos. Porém, no imaginário alviverde lembramos da época da Parmalat onde investimento era sinônimo de domínio. Aqui vale fazer 2 ressalvas. A primeira é que o investimento é relativamente menor ao da época da Parmalat. Escolhemos (acertadamente), o caminho de jogadores em fim de contrato, sem gastar com o antigo passe/direitos federativos. Sendo assim, jamais contrataremos um Vinicius Junior, mas podemos contratar um Scarpa. A segunda ressalva é que, diferentemente dos anos 90, o mundo estrangeiro que se resumia à Europa Ocidental, observou a entrada de novos mercados. Arábia, Leste Europeu, China, entre outros. Sendo assim, nos anos 90, a “primeira prateleira” era toda consumida pela Europa, mas a segunda ficava com a gente. Lembro que Edilson, Djalminha e Luizão vieram do Guarani, Roberto Carlos do União de Araras, Flavio Conceicção do Rio Branco – SP, Edmundo do Vasco e por aí vai. Hoje, esses jogadores, certamente, já estariam no Leste Europeu com 19 anos. Sendo assim, Alexandre Mattos tem que se suprir na “quarta ou quinta prateleira” de jogadores. Enfim, fica a provocação. O time do Palmeiras é absurdamente melhor que o São Paulo? Que o Corinthians? Que o Grêmio? Peço atenção ao advérbio da pergunta. Ele é importante, pois, sem ele, difícil garantir o domínio pleno sobre os rivais. Importante ressaltar que o investimento vem garantindo o protagonismo. Ganhamos 2 títulos nacionais e fomos vice no ano passado.

4 – Não escolher um caminho

Tendo em vista que o investimento, por si só, não será suficiente para chegar ao título, percebemos que as conquistas são derivadas de trabalho e repetição. Mais que isso, escolher um caminho. Afinal, qual a proposta de jogo do Palmeiras? Reativa como o SCCP? Agressiva como o Santos dos bons tempos? Posse de bola e triangulação como o Grêmio? Escolhido um modelo de jogo, as contratações são muito mais assertivas e com mais chance de darem certo. Jogadores rápidos, fortes, passadores, rompedores com bola no pé? Qual a característica? Esse é o motivo pelo qual o SCCP é uma fábrica de novos zagueiros e volantes, vendidos a preço de ouro, de acordo com sua característica reativa. Por isso, o Santos é uma fábrica de atacantes velozes e habilidosos, também vendidos a preço de ouro. E o próprio Grêmio deve fazer alta grana com Arthur e Luan, pilares do toque de bola gaúcho. Faço a ressalva que o processo de contratação do Palmeiras melhorou demais. Acertamos mais que erramos. Entretanto, como não temos um modelo de time, tentamos juntar características de jogadores que nem sempre dão certo.

5 – Falta de trabalho

Provavelmente por não termos um caminho escolhido, as frustrações e paciência com maus resultados é menor. Como consequência, mesmo em época de vacas mais gordas trocamos demasiadamente de treinador. Ano passado foi surreal. Trocamos do reativo Eduardo Batista para o Porco Doido do Cuca e terminamos com Alberto “linha alta” Valentim. Paradoxalmente, terminar em segundo um campeonato Brasileiro com essa situação demonstra exatamente a força do questionado investimento. Em 2018, escolhemos Roger Machado, com característica de posse de bola e triangulação. Confesso que é meu “método” preferido, mas, de longe, repito, de longe é o que mais demanda tempo para implantar. Suportaremos? Caso o Roger caia, traremos um nome com as mesmas características ou vamos escolher por outra razão, tal como grife, e faremos uma proposta a um Abel reativo?

6 – Desvio da política desconhecidos x medalhões.

Em 2015 e 2016, a estratégia era nítida. Buscar jogadores com fome, até certo ponto desconhecidos, porém com “scout” e potencial incontestáveis. E fomos campeões com Vitor Hugo, Moisés, Mina, Tchê Tchê, Dudu (na época com muita fome), Jailson, Gabriel Jesus (base), Thiago Santos, etc. Depois de 2016, mudamos a política e “aceitamos” mais grife como Felipe Melo, Borja, Guerra, Michel Bastos entre outros. E os resultados não foram os mesmos. Conceitualmente falando, sempre é melhor apostar mais em Hyorans que em Scarpas. Por mais que a torcida pense diferente.

7 – Estrutura profissional em ambiente amador

Os clubes brasileiros são os que mais jogam no planeta. Fizeram 770 jogos na última década enquanto os europeus fizeram cerca de 550. A diferença, de forma resumida, está no jurássico campeonato estadual. As arbitragens, os tribunais, são amadores. A tabela, o campeonato são feitos por amadores. O amadorismo nivela as forças. Pegando 2018 como exemplo, sendo ano de Copa, Roger Machado treinou com bola 7 dias para enfrentar o Santo André no meio de janeiro. Pensou um time com Tche Tche, com Thiago Martins, sem Keno, etc. E vai se virando nos sucessivos jogos quarta e domingo. Insisto num tema que venho abordando há anos no querido “Prisco Palestra”. O Palmeiras tem que liderar as mudanças não por altruísmo, mas porquê, de longe, será o clube mais beneficiado por uma estrutura profissional.

8 – Instabilidade Política

Em 2016, nos iludimos que uma inédita paz chegou ao Palmeiras. Paulo Nobre fazia seu sucessor sendo candidato único. Alinhamento entre a maioria dos entes políticos e, com algumas rusgas é verdade, até com o patrocinador. Um dia após a posse de Galiotte, um terremoto treme os alicerces do Allianz Parque. Paulo Nobre para um lado, Mustafá e Leila para o outro. Meses depois, Mustafá migra para o outro lado. Além disso, abusando de uma interpretação elástica, é permitido à sócia da Crefisa disputar o cargo de conselheira. E o caminho para sua presidência está absolutamente pavimentado com a alteração no estatuto aprovada há poucos dias. Os reflexos desse tema podem não ser sentidos exatamente nos próximos 90 minutos de um jogo. Porém, no médio prazo, a instituição corre o risco de pagar um alto preço, no limite, até afugentando outros parceiros e empresários de jogadores, além da invasão política no CT.

Enfim, o tema é complexo. Compreendo que a esmagadora maioria da torcida não concorda, mas insisto que a solução passa pelos pontos acima. Também reconheço que é bem difícil todos os pontos serem atacados ao mesmo tempo. Sendo assim, pressupondo que o estilo de jogo atual é o escolhido pelo Palmeiras (difícil acreditar, mas vou pressupor), sou favorável à manutenção do técnico, à manutenção do trabalho com Alexandre Mattos e que as próximas contratações lembrem mais 2015/2016 que 2017/2018. Sempre lembrando que a obrigação é ser protagonista, não ganhar títulos, afinal, o Palmeiras, queiram ou não, tem rivais poderosos, seja em estrutura, seja em finanças, seja em torcida. Futebol é convicção e não “quarta e domingo”. Os resultados contra Cruzeiro e São Paulo não deveriam definir nosso futuro. Para o bem ou para o mal. Se ainda é utópico exigir convicção e bom senso de torcedor (como seria bom...), não podemos tolerar fraqueza dos dirigentes.

Marcelo, o Racional

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

2017 - A recaída. A volta às trevas ou apenas um hiato no processo de evolução?

Caros amigos,

Já se tornou tradição. O "post" de final de ano, mantendo vivo neste fórum os interessantes debates sobre nossa paixão. O título do "post", reconheço, não é dos mais animadores. Porém, infelizmente, acho que a palavra recaída cabe bem e, para tanto, buscarei alguns trechos da última postagem em 20 de dezembro de 2016.

“...A questão política nunca esteve tão pacificada...”

Apenas alguns dias depois desse 20 de dezembro, estoura a bomba Leila conselheira, Paulo Nobre rompido, Mustafá fortalecido. Mais para o final do ano, o escândalo dos ingressos deixa Mustafá em posição delicada. Voltamos a ter um ambiente político, digamos, efervescente.


“...Não tem necessidade de desviar um milímetro do que nos trouxe até aqui usando a falsa desculpa que “precisamos ganhar uma Libertadores”. Precisamos uma ova. Temos uma em cem anos e somos maiores que o Peñarol que tem cinco. Segue uma lista de lembretes, na minha opinião, para não cairmos em tentação:

“... Para esse primeiro item, recorro ao Aurelio. A definição de obrigação é: “aquilo que é ou se tornou necessidade moral de alguém; dever, encargo”. Sendo assim, o Palmeiras tem obrigação de ser protagonista. Não tem obrigação de ganhar título toda hora...”

Bem, parece claro que não cumprimos esse item. A obsessão da Libertadores mereceu até uma camisa especial...Abdicamos de um título brasileiro (que ganharíamos com os famosos 73 pontos) por um campeonato “mata-mata”. Aqui cabe ressaltar a falta de inteligência da coletividade, pois o domínio financeiro é melhor percebido em campeonatos de pontos corridos, não em torneios eliminatórios onde um lance fortuito, um erro de arbitragem, uma noite infeliz pode pôr tudo a perder.

“... O caixa melhorou. Nem por isso precisamos de medalhões. Precisamos de mais Moisés e menos Aroucas. Os medalhões arrebentam o caixa e o ambiente, já que, o retorno técnico em 99% das vezes não justifica a remuneração. Além da fome de um jogador que quer “estourar” para o futebol. Isso não tem preço...”

Mais uma vez, tivemos decepções nesse item. Felipe Melo, Borja, Michel Bastos, Guerra...Esquecemos o que nos trouxe aos títulos de 2015 e 2016...E Keno nos esfrega na cara qual o modelo correto a ser seguido...

“... Liderar as mudanças estruturais do futebol brasileiro. Não por bondade, mas por necessidade. Nós não dependemos do Estado. Nosso patrocínio e fontes de receita são todos privados. Mudança de calendário, mudança na arbitragem, mudança no STJD, divisão de cotas, etc. Quem quer a manutenção do “status quo” é quem depende dessa estrutura carcomida para sobreviver. O custo de curto prazo de eventual represália é mínimo tendo em vista os benefícios de longo prazo...”

Mais um ano reclamando de arbitragens, tabelas, calendário, justiça desportiva...Tudo o que os mais fracos (no momento) mais desejam...

“...Trabalhar incessantemente para a continuidade da pacificação política. Isso não quer dizer ausência de oposição...”

Já abordado acima.

“...Enfim, em 2017, já teremos um mini-teste. Parece que superamos a questão de jogadores medalhões, mas não a de técnico medalhão. Eduardo Batista é da nova geração, estudioso e
merece nosso voto de confiança. Se a torcida não der, que a diretoria segure a bronca...”

Fomos reprovados no teste...Voltamos a “medalhar” nos jogadores e o episódio Eduardo Batista foi um dos mais tristes de nossa história. Aqui vale contar um episódio pessoal. O Palmeiras vinha de um título brasileiro e, no quarto jogo da temporada, tive a oportunidade de assistir ao jogo na casa de um grande amigo com um grupo grande de palmeirenses apaixonados. Já no quarto (!!!) jogo, havia um vaticínio da enorme maioria dos presentes que o técnico não servia. No quarto (!!!) jogo. Desnecessário dizer que a profecia se auto realizou, já que, com esse nível insano de pressão, seria impossível um desfecho positivo.

Enfim, conforme descrito acima, parece que caímos em algumas tentações novamente.

Tentando responder à pergunta do título do “post”, talvez por otimismo cego, acredito que o que aconteceu em 2017 foi apenas um hiato no processo de evolução. Exceto a questão política e o protagonismo na transformação do futebol brasileiro, parece que os outros temas estão endereçados para 2018, a saber:

1 – Jogadores Medalhões – No final de 2017, as contratações respeitaram uma lógica muito mais coerente. Contratações pontuais, nas posições mais carentes e de jogadores que enxergarão o Palmeiras como uma evolução na carreira. Nunca é garantia, mas a chance de dar certo aumenta.

2 – Técnico Medalhão – A diretoria parece que se convenceu. Já a torcida...Tomara que o fracasso da volta do Cuca (aliás, voltou nos ombros da torcida) com seu estilo de jogo primitivo tenha causado algum impacto de racionalidade na coletividade alviverde. Confesso que aqui tenho mais fé que convicção. De qualquer forma, trazer um treinador como o Roger, mais antenado no futebol atual de posse de bola, triangulação e aproximação é um bom sinal. Porém, não se transforma um time de marcação individual e ligação rápida ao ataque (Porco Doido) em um Grémio (para ficar no exemplo local) sem tempo de treinamento, sem tempo de trabalho. Que Roger tenha o tempo necessário para executar o seu trabalho. De qualquer forma, conseguimos escapar do ultrapassado Abel e essa, por si só, já é uma excelente notícia para 2018.

3 – Obsessão da Libertadores – Aqui tivemos uma declaração formal de nosso presidente dizendo que ano que vem o Brasileiro é prioridade. A conferir.

4 – Discurso de favorito. Obrigação de títulos – Desde o segundo semestre de 2017, parece que começamos a lidar melhor com esse tema, especialmente nas entrevistas.

Além disso, cabe lembrar que há anos esse “blog” defende a responsabilidade administrativo financeira para permitir que o Palmeiras seja protagonista. Pois bem, é exatamente essa responsabilidade que foi mantida nesse ano que permite que continuemos sendo protagonistas mesmo com as recaídas de 2017. No passado, os erros que listamos acima poderiam culminar num rebaixamento. Hoje, mesmo fazendo muita bobagem somos vice-campeões nacionais.

Penso que nunca devemos apagar 2017 das nossas memórias. Se os erros forem traduzidos em aprendizados, acredito que terá valido a pena. Difícil prever se ganharemos títulos em 2018. Sei que essa opinião é polêmica, mas, para mim, ganhar título em 2018 pouco importa. O que importa é continuar sendo protagonista. Se fizermos isso, os títulos virão naturalmente nos anos vindouros.

Excelente 2018 para toda a comunidade palestrina!

Marcelo, o Racional

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Protagonismo, aprendizados e futuro

Caros amigos,

Imaginem uma situação. Uma agremiação perde, ao mesmo tempo, a principal referência financeira e política, a principal referência técnica dentro de campo e a principal referência técnica fora de campo. Quais seriam as perspectivas futuras dessa agremiação? Caos, papel de coadjuvante, baixo astral da torcida? Provavelmente a resposta seria nesses termos. Exceto, se a agremiação em questão fosse forte o suficiente para suportar essas “pancadas”, em resumo, exceto se essa agremiação for protagonista.

Hoje somos. Perdemos em dezembro Paulo Nobre, Gabriel Jesus e Cuca. Entretanto, boa parte da mídia e torcida ainda reputa a SEP como principal favorito às competições do ano que vem.

Os motivos já foram abordados em “posts” anteriores. Basicamente, os alicerces de nossa reconstrução são bastante sólidos. No lado financeiro, o empréstimo do Paulo Nobre é apenas um dos aspectos da saúde financeira e não o único aspecto como a despreparada imprensa esportiva sugere. As fontes de receita são variadas e sólidas, exceto Crefisa (que paga mais do que vale a camisa, além de rusgas com a direção). A questão política nunca esteve tão pacificada.

Dentro de campo, claro que Jesus fará alguma falta. Entretanto, o modelo de contratações que busca predominantemente jovens valores a medalhões tem tudo para continuar. Substitutos não deixam a peteca cair e o time tende a continuar forte. A ausência de Cuca, talvez, seja a mais sentida, mas, de novo, como tudo vai bem, o trabalho do novo treinador tende a ser um pouco menos difícil, dado o material humano que ele disporá.

Chegamos a esse ponto. Contudo, nem por um segundo podemos esquecer tudo o que passamos nesse século. Temos de olhar para as cicatrizes todos os dias e lembrar como foi difícil e demorado chegar até aqui. Além disso, ter em mente um aspecto. É demorado reconstruir protagonismo, mas é rapidíssimo perdê-lo.

Nesse século, boa parte da coletividade do futebol (eu incluso) vaticinou que SPFC e, posteriormente, SCCP se transformariam numa espécie de Barcelona brasileiro, ou seja, seriam clubes com capacidade de arrecadação muito maior e, por consequência, abocanhariam a maioria dos títulos. Sem querer defender quem pensava assim, esses clubes tiveram todas as condições para dominar o cenário, porém, uma mistura de soberba com esquecimento do que os tinha levado àquela situação foram fatais para as pretensões dos rivais.

O SPFC foi tricampeão brasileiro com Josué, Mineiro, Aloísio, Miranda e que tais. Em 2009, após perder algumas Libertadores, o clube começa a “medalhar”. Começa com o falecido Fernandão, Cleber
Santana, depois Ganso. Para piorar, contratações emocionais como Kardec e Wesley apenas para provocar o rival. A questão política que era pacificada, torna-se caótica. Some-se a isso a soberba de “chutar” seus rivais do Morumbi e perder boa fonte de receita (fundamentais desde os anos 70)...Não teve jeito, o dito clube modelo, o maior ganhador de títulos e torcida das últimas décadas não resistiu...Está indo pro nono ano sem título relevante...

O SCCP, sempre caótico, cai para a segunda divisão e cinco anos depois sagra-se campeão mundial com Chicão, Ralf, Paulo André, Cassio e que tais...Por um bom período, foi o clube que mais acertava em contratações, tanto que refez seu meio de campo por diversas vezes, sem perder protagonismo. Inovou no marketing. Deu um chute no Clube dos 13 e conseguiu impor um modelo onde o clube se torna o principal arrecadador do Brasil. Porém, o novo rico abusa. A contratação de Pato a valores proibitivos e a construção do estádio, provavelmente acreditando que questões não republicanas seriam eternas, matam o clube.

Agora, parece a hora da SEP e do Flamengo. Será que a o futuro trará um porém?


Não podemos permitir isso. Lembrar todos os dias que, se você for protagonista, os títulos virão NATURALMENTE. Não tem necessidade de desviar um milímetro do que nos trouxe até aqui usando a falsa desculpa que “precisamos ganhar uma Libertadores”. Precisamos uma ova. Temos uma em cem anos e somos maiores que o Peñarol que tem cinco. Segue uma lista de lembretes, na minha opinião, para não cairmos em tentação:

1 – Para esse primeiro item, recorro ao Aurelio. A definição de obrigação é: “aquilo que é ou se tornou necessidade moral de alguém; dever, encargo”. Sendo assim, o Palmeiras tem obrigação de ser protagonista. Não tem obrigação de ganhar título toda hora. Quero, com esse item, lembrar o efeito “Maicon”. Por causa de uma semi de Libertadores, nosso rival paga mais de R$ 20 MM por um zagueiro comum. A Libertadores não veio, mas a dívida...Estão antecipando cotas para fechar o ano. Ninguém, nem o presidente, poderia ter autorização de colocar em risco o protagonismo futuro para tentar otimizar o presente. Deveria estar no estatuto.

2 – O caixa melhorou. Nem por isso precisamos de medalhões. Precisamos de mais Moisés e menos Aroucas. Os medalhões arrebentam o caixa e o ambiente, já que, o retorno técnico em 99% das vezes não justifica a remuneração. Além da fome de um jogador que quer “estourar” para o futebol. Isso não tem preço.

3 – É fundamental “fortalecer” a inteligência de contratações. Sistemas, “scouts”, etc...

4 – Continuar o fortalecimento da categoria de base.

5 – Não fazer loucuras financeiras (imobilização).

6 – Liderar as mudanças estruturais do futebol brasileiro. Não por bondade, mas por necessidade. Nós não dependemos do Estado. Nosso patrocínio e fontes de receita são todos privados. Mudança de calendário, mudança na arbitragem, mudança no STJD, divisão de cotas, etc. Quem quer a manutenção do “status quo” é quem depende dessa estrutura carcomida para sobreviver. O custo de curto prazo de eventual represália é mínimo tendo em vista os benefícios de longo prazo.

7 – Mantra: O Longo Prazo sempre chega.

8 – Continuar fortalecendo ações de marketing.

9 – Trabalhar incessantemente para a continuidade da pacificação política. Isso não quer dizer ausência de oposição.

10 – Transparência. A SEP só fatura cerca de meio bilhão de reais por ano por causa dos 16 milhões de torcedores. Merecemos que os dirigentes prestem contas de suas decisões.

Enfim, em 2017, já teremos um mini-teste. Parece que superamos a questão de jogadores medalhões, mas não a de técnico medalhão. Eduardo Batista é da nova geração, estudioso e merece nosso voto de confiança. Se a torcida não der, que a diretoria segure a bronca...

De qualquer forma, como é bacana saber que os nossos problemas são bem menores hoje. Vamos sempre dizer não à soberba! O time que tem a história mais bela de todos os clubes brasileiros não pode esquecer exatamente...de sua história. O Campeão do Século 20 e o maior vencedor de títulos nacionais tem tudo para ir ainda mais longe.

Feliz Natal e Excelente 2017 para toda a comunidade Palestrina.

Por Marcelo, o Racional

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Um novo ciclo

Caros amigos,

Respeitando a nova dinâmica, voltamos ao Prisco Palestra no final de ano para os comentários e reflexões nesse espaço gentilmente aberto por nosso amigo internacional, já preparando as malas de volta...

De maneira ingênua, me considero um pouco vencedor também. Fugindo do padrão, esse post vai abusar da primeira pessoa do singular.

Primeiramente, é gratificante escrever o título desse “post”. Em dezembro de 2016, as coisas parecem simples e fáceis, porém, não podemos esquecer em nenhum momento o pós-Parmalat, para nunca mais cometermos os mesmos erros. Os debates sobre nossa maior paixão evoluíram. Antes, eram na mesa de bar e churrascos com amigos, depois, por e-mail. No começo da década, pelo Prisco Palestra e hoje, fundamentalmente, pelo Whatsapp. Tenho a mania (não saudável, reconheço) de guardar e-mails de 10 anos atrás e reler de tempos em tempos...

Percebi que havia uma tônica em meus argumentos. A SEP só sairia das trevas com três pressupostos claros. O primeiro era a organização financeira. O segundo era que a coletividade tinha de se libertar dos medalhões, pressionando a diretoria a sempre contratar jogadores caros ao invés de jogadores bons. O terceiro é que teríamos de pensar a médio/longo prazo se quiséssemos inverter o ciclo. E como foi difícil...Os “leitores” e participantes desses debates nada mais eram que amigos próximos, não mais que dez pessoas, mas que, para mim, eram muito importantes. Eles eram torcedores e esse grupo pequeno sempre foi uma amostra da nossa torcida. Se eles pensavam assim, concluía, boa parte da arquibancada pensa assim. 

Cabe lembrar que escrever sobre a SEP é uma alegria para mim. Primeiro pelo espaço que o Palmeiras ocupa na minha vida. Segundo, porque tenho um sonho de, no futuro, enveredar pelo lado de trabalhar com esporte...Se acontecer, posso afirmar que estes últimos anos estão sendo um ótimo treino. Nesse luta mesopotâmica desses últimos 15 anos, tive um momento máximo... 

Convidado pelo amigo Alexandre Zanotta, nos primórdios do Muda, Palmeiras!, tive a oportunidade de perguntar sobre os conceitos (financeiro, medalhões e médio/longo prazo) ao Gilberto Cipullo. Confesso que a resposta não me deu muitas esperanças no futuro...

Enfim, o debate de ideias não foi fácil. Os argumentos iam mais ou menos nessa linha:

- “Futebol é paixão. Não se resolve com uma HP”.
- “Futebol não é empresa”.
- “Longo prazo é o %&%#. Pergunte para quem está passando fome sobre longo Prazo”.
- “Historicamente a SEP só ganhou com esquadrão, não adianta”.
- “Sou torcedor. Meu papel é pedir jogador”.
- “A SEP não é banco. Se o Vagner Love pode voltar, temos que trazer. Depois a gente vê”.
- “Tem que pagar o quanto o Valdivia quiser. Ele não pode ir pro rival”.
- “Precisamos ganhar de qualquer jeito um título logo. Com menos pressão, a gente se ajusta”.

Dois momentos foram particularmente interessantes. Um, quando fui contra a parceria Traffic por entender que o modelo onde a SEP pagava salários e o investidor ficava com 90% do lucro não era sustentável. Outro foi quando fui o único contra a vinda do Vagner Love no meio de 2009. Disse que de nada adiantaria ser campeão brasileiro em um ano e ser coadjuvante nos outros. Argumentei que recuperar protagonismo era mais importante e os títulos viriam naturalmente. Nossa, como apanhei...Mas, foi bacana.

Sempre pensei que a torcida tem um papel absurdo no que acontece dentro de campo. Analogamente, a sociedade tem responsabilidade sobre os destinos do país, não só seus governantes. Da mesma forma, a arquibancada tem responsabilidade, não só os dirigentes. Se a arquibancada pede algo, na enorme maioria das vezes, ela terá, até porquê, o dirigente precisa de apoio para continuar no cargo. Se a arquibancada pede Valdivia, ela terá Valdivia. Se pede “all in” financeiro para ganhar um título, ela terá (vide Belluzzo). A não ser que surja um “estadista”. Graças a San Gennaro, ele surgiu. O país continua no aguardo...

Para mim, ainda não está claro qual o principal motivo da “virada”. Há algumas hipóteses. A principal, é o fim da grana. Acabou, simples assim. Algo como o Santos que montou a “SeleSantos” em 2001 e recorreu à base em 2002. A entrevista do Leão foi sintomática à época. “O presidente pediu para eu ficar na Série A”...Outro motivo é que no começo dessa década, parte pequena da imprensa esportiva começou a questionar altos salários e baixo desempenho. Talvez isso tenha ajudado a minar o pensamento único. Outra hipótese é que foi ficando claro os casos de sucesso dos adversários. São Paulo campeão com Josué e Mineiro, Corinthians com Paulo André e Chicão. Por fim, os inúmeros e sucessivos fracassos podem ter começado a conscientizar parte da torcida.

Enfim, as hipóteses acima devem ter colaborado para a eleição de um jovem para presidente da SEP. As condições, juntamente com a eleição de Paulo Nobre, foram o “Big Bang” palestrino.

Primeiro, arrumou o financeiro. Times bastante, bastante modestos em 2013 e 2014. Depois, contratação de um profissional de futebol invertendo a lógica de contratações de 80% medalhões e 20% de “apostas” para 80% de apostas e 20% de medalhões. Ressalvo que aposta não é exatamente a palavra, pois as contratações eram bastante embasadas em performance dos anos anteriores em aspectos técnicos e disciplinares. Em 2015, começa o processo de reconstrução. De maneira até inesperada, ganhamos um título nacional. Em 2016, não sabíamos se viria o título, mas sabíamos que o protagonismo tinha voltado.

E o título veio. E que bom que veio com Jailson, Vitor Hugo, Moisés, Tchê-Tchê, Gabriel Jesus, entre outros.

Que alegria!! Que satisfação!! É evidente que meu papel nesse processo foi nenhum. Mas, ver ideias que defendo indo adiante já são motivo de enorme orgulho.

Peço desculpas a todos pelo “post”, mas gostaria de dividir essa alegria.

No próximo, abordarei protagonismo e futuro.

Forte abraço,

Por Marcelo, o Racional.

Quando o risco compensa

Os rumores foram confirmados e o torcedor do palmeiras recebeu, na manhã de hoje, uma excelente notícia: após meses de negociação, o Palmeiras fechou contrato com o Esporte Interativo até 2024.

Mais do que a questão dos valores que serão pagos para transmissão de nossos jogos pela tv fechada, o que parece ter sido o fator decisivo para a escolha foi o tratamento flexível e respeitoso que receberemos (em tese) da emissora em diversos aspectos:

Allianz Parque - a miopia da RGT ao insistir em chamar nosso estádio de Arena Palmeiras durante as transmissões chegou ao fim. Ao menos nos canais EI, teremos divulgado o nome da arena, fortalecendo ainda mais o nosso palco e prestigiando a empresa que, desde o início, apostou no projeto e nos acompanhará por 20 anos. Além disso, os demais patrocinadores do Palmeiras e o programa sócio-torcedor terão ampla visibilidade, de acordo com o contrato.

Plataformas digitais - as partidas do Palmeiras terão o sinal cedido e poderão ser transmitidas pelos canais de comunicação como a TV Palmeiras. A consequência deverá ser um aumento da visibilidade do Canal no Youtube e a possibilidade de explorar o espaço com publicidade. No fundo, será inaugurada uma nova era no futebol brasileiro em matéria de transmissão de partidas de futebol.

Internacionalização da marca - há um compromisso da emissora de buscar a inserção internacional do Palmeiras no cenário mundial, com a participação do clube em torneios internacionais e partidas amistosas.

Apesar de todos esses aspectos positivos, deveremos sofrer, no curto prazo, medidas de retaliação da RGT/Sportv. Com toda sua influência nos bastidores do futebol (CBF/STJD), o risco é de que não teremos vida fácil em relação a arbitragens e julgamentos nos tribunais da CBF. Nesse quesito, temos pouco a perder, pois já somos vítima dessas instâncias nebulosas de nosso futebol. Por isso vale a pena correr o risco do negócio.

Parabéns mais uma vez à direção. Pensamos que a escolha da emissora e as condições do negócio ajudarão a quebrar o monopólio das transmissões esportivas no Brasil e a engrandecer ainda mais o nome do maior campeão do futebol brasileiro.

Avanti Palmeiras!

Por Prisco Palestra



segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Globoesporte.com é uma piada

Acordando das cinzas para o Prisco Palestra, curtindo com muito prazer e ansiedade a possibilidade do Verdão conquistar seu nono título brasileiro (sim, o brasileirão não começou em 71), eis que me deparo com umas das coisas mais bizarras dos últimos tempos: ao abrir o site globoesporte.com, vejo a seguinte manchete:

Imagem captada do site globoesporte.com

O pênalti em si foi a chamada "brincadeira", típico do time da Marginal Sem Número. Caiu o dólar, pênalti pro Curintia.

Mas a manchete do site em questão chega a ser até ofensiva. A mensagem foi: foda-se a sua opinião, quem manda é o árbitro e ponto final. E quem pagou o preço foi o Inter, à beira do precipício.

Claro que há certa ironia nesse título, mas apenas o leitor mais atento irá percebê-la. O que fica, é a ideia de que é melhor não discutir o assunto, tese que se aplica apenas a certos times, quando interessa.

A outros, como o nosso, cria-se a polêmica. Sem dó, busca-se lançar a sombra da dúvida, o "cheirinho" de que há mutreta, "Esquema Crefisa", etc. Fizeram isso quando batemos a bambizada com gol ligeiramente impedido do Mina. Dois pesos e duas medidas. E é assim desde 1914, mais do mesmo.

Por isso, quando forem ler a mídia esportiva tradicional (não recomendo), o façam com vários filtros, com o espírito crítico mais aguçado possível. Na maior parte do tempo, acompanhe a Mídia Palestrina, assim não terá que ouvir "cagadores de regras" como um certo jornalista da espn, torcedor do time do "Cheirinho do Hepta".

Avanti Palestra!

Por Prisco Palestra